Porque as pessoas julgam tanto?

Algumas vezes, escondemos segredos por receio de sermos mal-interpretados; deixamos de fazer coisas que queremos fazer por medo de sermos repreendidos; preferimos guardar nossas opiniões para não corrermos o risco de que discordem do que pensamos. Isso é comum para todos, e o motivo é fácil de encontrar: as pessoas julgam! Julgam em tempo integral, e elas sempre dizem o que você deve ou não fazer, tentando nos convencer a pensar do jeito correto, a sentir e deixar de sentir emoções. Quase todo mundo já experimentou a sensação de que o mundo está tentando esmagar seus ideais, que alguém vai apontar o dedo quando forem escorregar; esse é um descontentamento plausível e um assunto muitas vezes já questionado, mas algo em que poucos refletem é no porquê disso, e como isso funciona!

 

O que acaba sendo muito frustrante para mim é ouvir pessoas dizendo coisas como “não julgue os outros!” – o que acontece é que ela está satisfeita em manter suas expressões de frustração retóricas em relação a tudo o que lhe incomoda, mas não analisa devidamente a situação.

Eu acredito que os julgamentos existam por que essa é uma prática natural do ser humano; as pessoas têm seus próprios conceitos de certo e errado e tendem, talvez de uma maneira instintiva, a aprovar ou repreender aquilo que, dentro de seus princípios, lhe pareça razoável ou injusto; ele age dessa maneira por ser racional – se ele pensa, logo, vai tirar suas impressões pessoais sobre o meio onde vive, e isso é inevitável! Portanto, o simples fato de termos pensamentos que definam ações e idéias alheias como certas ou erradas poderia ser considerado julgar (já que o ato de pensar não é um efeito voluntário, diferente da reflexão, não podemos escolher se julgamos ou não alguém); portanto, desmerecer alguém por julgar é extrema hipocrisia, pois a partir de o momento em que você repreende essa atitude nos outros, está cometendo a mesma! Ninguém deveria ser criticado de maneira negativa por ter suas opiniões quanto ao que acontece a volta! Aliás, o julgamento é importante para que sejam estabelecidos os juízos de moral e justiça – nós julgamos desde o momento em que levantamos da cama: a ação daqueles que nos prejudicam; a real importância daquilo que somos forçados, pelos deveres diários, a cumprir; a maneira com a qual falam conosco; os personagens fictícios das novelas e os reais das matérias jornalísticas; e esses julgamentos projetam-se em nossa mente sem que nos condicionemos a isso.

No entanto, devemos tomar cuidado ao condenar alguém: quando condenamos, não apenas pensamos ou expressamos nossas opiniões repreensivas, pois neste caso, além de formarmos nossas impressões pessoais, nós as estimamos como perfeitas, acima de qualquer idéia contrária, superior a qualquer outro raciocínio! É aqui que entra o problema: criticarmos as pessoas não é o erro, o erro é não aceitarmos que nossas críticas estejam menos corretas do que as das outras pessoas; não digo com isso que não devemos manter até o final nossas opiniões (quando essas não estão embasadas no orgulho), digo que não devemos nos tornar irredutíveis mesmo quando sabemos que não somos os donos da verdade, e tentar, ainda assim, obrigar os outros a comprarem o resultado de nossos pensamentos.

Algumas pessoas agem como se “livre direito de expressão” fosse “livre direito à ofensa”: há uma linha tênue entre expressar uma crítica negativa e agredir alguém.

Quando vemos algo que não achamos correto, deveríamos, no mínimo, nos colocarmos no lugar do outro e tentarmos entender o porquê. Ainda que não consigamos, é importante avaliar até onde vão os direitos das pessoas e onde começam os nossos. É fundamental que tentemos mudar aquilo que achamos incorreto, e fazer com que as coisas sejam justas, mas da maneira certa – quantas vezes nos sentimos injustiçados por termos sido condenados por pessoas que não sabiam como era nossa situação? Mas quantas vezes dissemos coisas que poderiam ter sido ditas de forma diferente? Quantas vezes tentamos obrigar aos outros a aceitar tudo o que dizíamos sem notar que estávamos sendo egoístas?

Acho que ninguém deveria ter medo de ser como é, de fazer o que quer, de pensar como acha que deva, e de sentir o que tem desejo de sentir – todos têm o direito de ser aquilo que é – não estou dizendo que o mundo deva parar de julgar, mas as pessoas devem parar de se preocupar tanto com o julgamento do mundo, e para isso dar certo, devemos parar de condenarmos uns aos outros. Entretanto, devemos também perceber quando as críticas que nos fazem têm fundamento, pois nem sempre aquilo que fazemos e pensamos é o mais conveniente, e em alguns casos, as pessoas que nos julgam, manifestam suas idéias opostas, e até mesmo, erroneamente, nos condenam de forma impetuosa, se preocupam com o nosso bem-estar, e acima de tudo com o que vai de conformidade à justiça.

Em suma, meu ponto de vista é que o mais adequado é sermos todos razoáveis: devemos ter nossos pontos de vista; devemos manifestá-los quando acharmos que temos esse direito, e que podemos, principalmente, mudar uma circunstancia errada; devemos respeitar as opiniões adversas, quando elas não afetam a ninguém de maneira nociva; mas também devemos nos sentir livres para vivermos, falarmos e raciocinarmos, de acordo com o que julguemos correto, bem como devemos ser maleáveis a juízos opostos, e compreendermos aqueles que nos agridem com sua suposta liberdade de expressão.

by. GabMarks

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~ por GabMarks em 13 de novembro de 2010.

9 Respostas to “Porque as pessoas julgam tanto?”

  1. “há uma linha tênue entre expressar uma crítica negativa e agredir alguém” Essa frase resume tudo!
    A verdade é que as pessoas sempre julgarão umas as outras, pois isso já faz parte da essência do ser humano. Alguns precisam criticar o outro para se sentir melhor, infelizmente.

  2. Cara, dessa vez você foi acima do céu!! isso que você escreveu ai é uma verdadeira obra de arte, isso sim é uma coisa q todo ser humano deveria ler..
    Para mudar algumas questões..
    parabésn mesmo vc foi show de bola!!!

  3. simplismente 10..

  4. Muito booom!

  5. muito bom!

    excelente artigo e assunto.

  6. A maioria das pessoas se veem como juízes de tudo e qualquer coisa…como seria bom se todos tivessem bom senso e capacidade de raciocinar a ponto de entender (ou tentar, ao menos) o pensamento alheio.

  7. Muito bom…

  8. Fantastic! Ao julgar os outros quase sempre nos leva ao preconceito. Abraços de Pendragon.

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