Palavras e Ofensas

  Cadáveres são matéria morta; eventualmente todos nos tornaremos um. Sua função é apenas desaparecer sob a terra, e isso é invariável, portanto não importa de quem seja ou como foi um dia! Então por que, ainda assim, muitos de nós optam em pagar por uma belíssima sepultura muito mais cara que uma simples, quando no fim a realidade será a mesma? Porque acreditamos que a sepultura é o nosso ultimo gesto de afeto, através do qual mostraremos a dedicação e amor que gerimos por aquele ente-querido que não está mais presente em nossa vida. O mesmo pensamento pode ser visto quando recebemos o presente de alguém. Ainda que o valor monetário do objeto seja baixo, ele pode se tornar muito importante para nós, pois nos traz recordações boas da pessoa que nos deu; é por isso que, se o perdemos, a frustração é muito maior do que caso houvessemos comprado aquilo por conta própria. Isso é o que conhecemos como o valor sentimental, aquilo que é importante para nós independentemente do que as coisas realmente são, ou de como são vistas por outras pessoas; não quer dizer que não sejam reais, quer dizer que só existem em nosso mundo.

  Mesmo conhecendo a subjetividade dos nossos sentimentos, ainda existem muitos que não parecem compreender direito a definição de “ofensa”. Ninguém gosta de receber uma ofensa, e a reação mais natural mediante a ela é a revolta; mas se avaliarmos bem, ela é basicamente o mesmo que os valores sentimentais e crenças particulares que citei: subjetiva. Da mesma maneira que um objeto específico tem um valor diferente para você que para demais pessoas, determinado estimulo é considerado como ofensa para você, diferente do que é considerado pelos outros! Portanto não há lógica em dizermos que alguém nos ofendeu, quando o sentimento de ofensa fomos nós mesmos que criamos dentro de nós!

  As palavras também são frutos desse conceito. Nós criamos a idéia de que são um veículo de comunicação tão poderoso que nos sujeitamos a elas como se por si só mantivessem toda a capacidade de afetar nossas emoções, por isso esperamos e exigimos dos outros aquilo que queremos ouvir, como se as palavras fossem concretas e tivessem sentido arbitrário. Por exemplo, acreditamos que se alguém nos xinga, nos está agredindo! Mas esta é apenas mais uma crença que desenvolvemos e sujeitamos a nós mesmos: palavras, na realidade, são como pinturas emolduradas numa parede – enfeitam, comunicam e chamam atenção, mas nossa reação a elas depende única e exclusivamente de nós mesmos!

  Uma maneira mais simples de entender o meu ponto é imaginarmos uma situação em que somos presenteados por alguém. Se o presente for ruim e nos desagradar, apenas o aceitaremos se acharmos conveniente. Assim são as palavras: qualquer um tem o direito e a possibilidade de presentear-nos com as que quiserem, se nós as guardaremos no bolso é uma escolha nossa!

  Em suma, temos que parar de ver as palavras como bombas atômicas em potencial e começarmos a analisar o que realmente importa para a gente. É muito mais fácil mudar sua maneira de enxergar as coisas do que mudar o livre direito de expressão das pessoas que rodeiam você! Quando você se sentir ofendido, revolte-se contra você mesmo, pois é você quem é orgulhoso demais para permitir-se ser feliz quando não é bem visto aos olhos dos outros.

  Por: Gabo

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~ por GabMarks em 11 de fevereiro de 2012.

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