Música da Indústria

Eu gostaria de argumentar sobre algo que me incomoda às vezes, principalmente quando me deparo com alguém que sustenta certa opinião específica quanto ao assunto que abordo hoje. Refiro-me ao costume que algumas pessoas têm de criticarem negativamente canções nas quais a voz do intérprete está claramente alterada em programa de áudio. Eu, particularmente, amo música – não amo cantores, nem a indústria fonográfica ou todo o sistema de ambição e vaidade onde a música encontra espaço: apenas amo a simples possibilidade de colocar meus fones de ouvido e cantar junto com o cantor. Porém, em meio de tantas pessoas que levam esse tipo de arte mais a sério encontram-se aqueles que têm aversão ao fato de que grande parte das canções internacionais de maior sucesso, principalmente no estilo Pop, Pop/Rock, Eletrônico e afins, existe perceptível diferença entre a versão da música de estúdio e a performance dos cantores em apresentações ao vivo. O que eu mais ouço a respeito disso são comentários frustrados de algumas pessoas que afirmam que a indústria da música (ou o trabalho de seus cantores favoritos), em geral, é tão sintetizada que o que consumimos é totalmente artificial; alegam que não existe a beleza da naturalidade, pois o talento está sendo substituído pela tecnologia – a música está se tornando cada vez mais vazia, não só em seu propósito ou conteúdo, mas sua técnica, essência e significado.

  É inegável que muitos cantores utilizam recursos da tecnologia para produzirem suas músicas e que o verdadeiro talento de muitos deles não faz jus ao sucesso de suas produções, entretanto minha indignação é devido às pessoas que criticam essa realidade, por serem, na maioria das vezes, muito drásticos e impertinentes em suas opiniões a este respeito! Não acho que o bacana é buscarmos sempre algo antinatural e frívolo, porém acredito que há aspectos positivos tão consideráveis quanto os pontos negativos deste caso, e o principal deles, o que me motiva a protestar desta forma, é o fato de que as músicas que me divertem hoje não seriam as mesmas se ninguém estivesse disposto a usar sua prática em mesas e softwares de áudio para deixar belo algo que naturalmente é feio. Eu vejo isso como as roupas, a maquiagem, os imãs de geladeira e os papéis de parede no meu computador: muitas vezes fúteis ou desnecessários, mas que fazem toda a diferença quando o objetivo é simplesmente deixar algo mais bonito. Claro que eu gostaria de assistir desempenhos lindos nos palcos de shows ao vivo e acreditar que a realidade é como a escutamos no rádio, portanto não deixo de concordar com aqueles que criticam, porém eu permaneço acreditando que é interessante a percepção de que conseguimos ter tantas canções bonitas, emocionantes e bem produzidas, mesmo quando a voz dos intérpretes não é exatamente daquela maneira.

  Ninguém foi ao cinema assistir Harry Potter ou Avatar esperando ter uma impressão detalhada de como é a realidade que conhecemos, pois manter contato com aquilo que sabemos que não existe de verdade nos entretém, caso contrário estaríamos todos fadados a gostar apenas de documentários científicos, ou filmes interpretados por atores pintados de azul escalando uma tela de Chroma Key. Aquilo não é real, mas é surpreendente e divertido! Para mim, assim é a música! Artificial? Talvez, mas ainda surpreendente e divertida. Se formos capazes de declarar que gostamos de música porque nos faz bem, deveríamos parar de questionar se ela sai genuinamente da garganta de uma pessoa ou se sofre influência de uma máquina (mesmo porque, em minha opinião, o próprio tratamento do áudio deveria ser considerado arte, afinal nem todos são capazes de “fabricar” melodias emocionantes dispondo-se dos recursos de computador e vozes pouco afinadas.)

  Claro que existem aqueles que não conseguem diferenciar o real do irreal e acabam tornando-se vítimas da alienação, entretanto estou falando sobre as pessoas espertas, não as demais!

  Fico feliz que boa parte das músicas é industrializada, pois, se não fosse assim, muitas das minhas canções preferidas teriam sonoridade péssima ou nem sequer existiriam.

  A consciência de que somos capazes de manipular e distorcer o som de forma que o torne ainda melhor prova que estamos mais evoluídos que as civilizações primitivas que também se dedicavam à música.

  Eu não quero convencer ninguém a desvalorizar a espontaneidade das músicas ao vivo ou deixar de avaliar o lado feio da vulgarização da arte de fazer música, estou apenas apresentando os aspectos positivos que falei que existiam. Não podemos modificar os pontos ruins da realidade que conhecemos, mas podemos aproveitar os benefícios que ela nos traz também.

Por: Gabo

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~ por GabMarks em 2 de maio de 2012.

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